O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), afirmou nesta quinta-feira (15) que reformas previdenciárias são feitas para “ferrar o trabalhador” e classificou as mudanças aprovadas em 2019 como “até criminosas”. A declaração ocorre em meio ao debate sobre o aumento das despesas com aposentadorias e a sustentabilidade financeira do sistema previdenciário brasileiro.
Em entrevista ao Poder360, o ministro criticou o endurecimento das regras para a concessão de benefícios e afirmou que a reforma de 2019 prejudicou aposentados e pensionistas. Ele também rejeitou a ideia de que uma nova mudança nas regras seja inevitável diante das projeções de crescimento do déficit da Previdência.
Queiroz defendeu alternativas para aumentar a arrecadação sem elevar a idade mínima de aposentadoria ou ampliar o tempo exigido de contribuição. Entre as possibilidades mencionadas estão a inclusão de trabalhadores informais no sistema e a revisão de benefícios tributários concedidos a empresas.
A reforma aprovada em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, alterou as condições de acesso à aposentadoria e estabeleceu novas regras para o cálculo dos benefícios. Entre as principais mudanças estão a fixação de idades mínimas e a criação de regras de transição para trabalhadores que já contribuíam.
Na avaliação de Wolney Queiroz, as alterações aumentaram as dificuldades enfrentadas por quem depende da Previdência Social e reduziram a renda de parte dos beneficiários.
Ao classificar a reforma como “até criminosa”, o ministro fez uma crítica política e social aos efeitos das medidas. A declaração não corresponde a uma conclusão judicial sobre a legalidade das mudanças.
Apesar das críticas, as regras estabelecidas pela reforma de 2019 continuam em vigor. A manifestação do ministro não altera automaticamente os critérios de aposentadoria ou os valores pagos pelo INSS.
As declarações também foram motivadas por projeções do Balanço Geral da União de 2025, segundo as quais o déficit previdenciário poderá ultrapassar R$ 1 trilhão em 2041 e alcançar mais de R$ 30 trilhões em 2100.
Os números representam estimativas de longo prazo, sujeitas a mudanças conforme o crescimento da economia, a evolução do mercado de trabalho, a arrecadação e o envelhecimento da população.
Questionado sobre a necessidade de uma nova reforma diante desse cenário, Queiroz contestou a interpretação de que o aumento projetado das despesas obrigue o governo a endurecer novamente as regras para os trabalhadores.
O ministro citou o artigo 195 da Constituição Federal, que estabelece o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, por meio de recursos públicos e contribuições sociais.
“A Constituição não fala que é para haver superávit”, afirmou.
O argumento do ministro é que a Previdência deve ser analisada também por sua função de proteção social, e não apenas pelo resultado entre receitas e despesas. Isso, porém, não elimina a necessidade de financiamento das obrigações previdenciárias ao longo dos próximos anos.
Em vez de defender uma nova elevação da idade mínima ou do tempo de contribuição, Wolney Queiroz propôs ampliar a participação de trabalhadores que atualmente estão fora do sistema previdenciário.
Entre os grupos mencionados estão profissionais informais e microempreendedores individuais (MEIs). A intenção é estimular a contribuição regular para aumentar a base de financiamento e ampliar a proteção previdenciária.
O ministro também destacou a importância da educação financeira e previdenciária para incentivar trabalhadores autônomos a contribuir com o sistema.
A ampliação da cobertura poderia aumentar a arrecadação no curto prazo, mas também criaria direitos a benefícios futuros. Por isso, os efeitos financeiros dependeriam das regras de contribuição e do perfil dos trabalhadores incorporados.
Outra alternativa apresentada pelo ministro envolve a revisão das desonerações da folha de pagamento concedidas a determinados setores econômicos.
Esses mecanismos permitem que empresas recolham contribuições previdenciárias por critérios diferentes dos aplicados à folha salarial tradicional. Na avaliação de Queiroz, as renúncias devem ser consideradas na discussão sobre o financiamento da Previdência.
A revisão desses incentivos poderia elevar a arrecadação, mas também teria efeitos sobre os custos das empresas beneficiadas. Qualquer alteração dependeria de propostas específicas e das etapas legais necessárias.
O ministro não apresentou uma estimativa de quanto a inclusão de novos contribuintes ou a redução das desonerações poderia acrescentar às receitas previdenciárias.
As declarações de Wolney Queiroz não representam uma mudança imediata nas regras do INSS. Os requisitos de idade, contribuição e cálculo dos benefícios permanecem os previstos na legislação atual.
Para trabalhadores próximos da aposentadoria, continuam valendo as regras permanentes e de transição estabelecidas após a reforma de 2019, conforme o histórico de contribuição de cada segurado.
O debate sobre o futuro da Previdência deve continuar diante do envelhecimento da população e das projeções de crescimento das despesas. Por enquanto, o ministro defende buscar novas fontes de financiamento antes de discutir medidas que ampliem as exigências para a aposentadoria.
Fonte: ncnews.com.br
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