Um projeto de lei apresentado no Senado Federal em 5 de outubro de 2026 pela senadora Lourdinha Pereira (PSB-MA) propõe obrigar empresas a pagar salários e manter benefícios contratuais de empregados que, após a alta do INSS ou o indeferimento de um benefício por incapacidade temporária, se apresentam para voltar ao trabalho e são impedidos pelo empregador.
Se aprovado, o PL 5524/2026 prevê que a empresa pague o salário desde o dia em que o empregado se apresenta para voltar ao trabalho. Isso valeria inclusive se o exame médico de retorno atrasasse por responsabilidade da empresa.
A proposta também prevê a manutenção dos benefícios do contrato enquanto o trabalhador não retornar a uma atividade compatível ou o INSS não conceder ou restabelecer o benefício por incapacidade. Essas regras ainda não estão em vigor.
O limbo previdenciário ocorre quando o benefício por incapacidade termina ou é negado, mas o trabalhador não consegue retomar suas atividades e fica sem receber do INSS e da empresa. A situação é comum quando o INSS considera a pessoa apta para voltar, mas o médico da empresa a considera inapta.
O PL também trata do retorno após o indeferimento do pedido de benefício. O blog já mostrou o caso de uma mulher colocada em limbo previdenciário após o fim do auxílio-doença e explicou os efeitos do limbo jurídico previdenciário.
A proposta acrescenta cinco artigos à CLT, do 476-B ao 476-F, e prevê prazos para o empregado e para a empresa:
Se a empresa atrasar o exame, o projeto prevê que o salário seja devido desde o dia em que o empregado se apresentou. Se o exame indicar aptidão, o trabalhador voltaria à função anterior. Também poderia haver retorno gradual ou adaptação das tarefas, da função ou do ambiente, sem redução salarial ou alteração contratual prejudicial.
Pela proposta, a empresa. Se o empregador impedir o retorno, inclusive porque o médico da empresa considerou o empregado inapto, o projeto prevê que a empresa:
Na redação proposta, a falta de uma função compatível não afastaria a obrigação de pagar. O pagamento continuaria até o trabalhador voltar a uma atividade compatível ou o INSS conceder ou restabelecer um benefício.
O projeto também diz que a avaliação do médico da empresa não vincula o INSS. Portanto, a conclusão de que o empregado está inapto não garante, por si só, a concessão de um benefício previdenciário.
O empregado teria de colaborar com o retorno, comparecer aos exames marcados pela empresa e entregar os documentos estritamente necessários. As informações de saúde devem ser tratadas como dados sensíveis, conforme a LGPD.
A proposta permite suspender o salário se o trabalhador recusar o retorno sem justificativa, mas exige notificação por escrito e prazo razoável. O texto não fixa esse prazo em número de dias. A recusa baseada em risco médico documentado continuaria protegida.
A conduta do empregado também pode ser analisada em cada caso. O blog já noticiou uma decisão em que o TRT-15 afastou o limbo previdenciário e manteve a justa causa após a alta do INSS.
O texto veda a dispensa discriminatória ou por retaliação ligada à saúde do trabalhador ou ao benefício por incapacidade, mas afirma que não cria estabilidade nem garantia provisória de emprego.
A Lei nº 9.029/1995 já proíbe práticas discriminatórias para acesso ou manutenção da relação de trabalho, incluindo discriminação por deficiência e reabilitação profissional.
O PL 5524/2026 foi apresentado ao Senado em 5 de outubro de 2026 e está em tramitação. Para virar lei, ainda precisa passar pelas etapas de aprovação no Senado e na Câmara, além da sanção ou promulgação. A proposta prevê entrada em vigor 90 dias após a publicação, caso esse trecho seja aprovado.
Enquanto isso, a CLT não estabelece os prazos de retorno previstos no projeto. O artigo 476 trata da licença não remunerada durante o período de recebimento do benefício. Na Justiça do Trabalho, decisões podem reconhecer o dever de a empresa pagar salários quando impede o retorno e deixa o empregado sem remuneração, conforme as provas de cada caso.
O TST, no Tema 88, firmou que impedir o retorno do empregado após a alta previdenciária e inviabilizar o recebimento de remuneração é conduta ilícita e gera dano moral in re ipsa. A tese trata especificamente do dano moral; os salários devidos no período são analisados conforme as circunstâncias do processo.
Pelo PL 5524/2026, a empresa pagaria desde o dia em que o empregado se apresentasse para voltar, caso fosse impedido de trabalhar. A proposta ainda não está em vigor; hoje, o pagamento depende da situação concreta e da análise judicial.
O projeto prevê cinco dias úteis após o trabalhador saber que o benefício foi encerrado ou negado, salvo impossibilidade comprovada. Esse prazo ainda não vale.
Se o exame fosse exigido, o PL daria à empresa cinco dias úteis, contados da apresentação do trabalhador.
O projeto foi apresentado no Senado em 5 de outubro de 2026 e ainda precisa avançar na tramitação legislativa.
A proposta busca criar um procedimento definido para o retorno ao trabalho após a alta ou a negativa do INSS. Por enquanto, porém, os novos prazos e obrigações dependem da aprovação do projeto; casos de limbo continuam sujeitos à legislação vigente e à análise da Justiça.
Fonte: previdenciarista.com
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