A Justiça Federal negou nesta quarta-feira (03) o pedido de revogação da prisão preventiva de Gabriel Batista de Araújo , o “Gabriel do Paredão”. Apontado pela Polícia Federal como líder de uma organização criminosa especializada em saques fraudulentos do INSS, o empresário de Vitorino Freire (MA) e esposo da vereadora Paulinha do Gabriel continuará custodiado na Cadeia Pública de Altos. A decisão do juiz Gustavo André Oliveira dos Santos , da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Piauí, reforça a necessidade de garantir a ordem pública, destacando o papel central de Gabriel na operacionalização de um esquema que movimentava cifras vultosas.
O investigado foi o principal alvo da Operação Paredão, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular o grupo que atuava há pelo menos sete anos. A ofensiva incluiu mandados de busca e apreensão em Vitorino Freire e São Luís, culminando no bloqueio e sequestro de bens e valores superiores a R$ 1 milhão. Segundo as investigações, o modus operandi consistia na inserção de documentos falsos e alteração de dados cadastrais para reativar benefícios de pessoas supostamente falecidas, transferindo os locais de pagamento para facilitar os saques ilícitos.
A audácia do grupo impressionou os investigadores: dos 17 benefícios ativos analisados recentemente, 12 pertenciam a titulares que teriam mais de 90 anos — em um dos casos, o beneficiário teria 107 anos se estivesse vivo. A perícia identificou 24 benefícios recebidos fraudulentamente desde 2018, evidenciando uma estrutura estável e profissional. Além disso, a investigação aponta para uma possível rede de corrupção interna, já que 44,4% das provas de vida desses benefícios foram realizadas por um único servidor do INSS, sugerindo uma associação criminosa institucionalizada.
Relatórios de inteligência e vigilância policial flagraram Gabriel comparecendo rotineiramente a agências bancárias para realizar os saques. Imagens de câmeras de segurança capturaram o empresário em terminais de autoatendimento em Santa Inês (MA), em junho de 2025, o que comprovou a contemporaneidade dos crimes. Nas diligências, a PF também identificou Alyn Werbson Oliveira da Silva como parceiro direto de Gabriel nas operações de campo, reforçando a tese do Ministério Público Federal (MPF) de que o empresário exercia o comando logístico da organização.
A defesa de “Gabriel do Paredão” tentou converter a prisão em medidas cautelares, argumentando que os crimes não envolveram violência e que o investigado possui residência fixa e ocupação lícita. No entanto, o magistrado rebateu os argumentos, frisando que a suposta atividade laboral não foi comprovada documentalmente. Pelo contrário, os autos indicam que a dedicação de Gabriel ao esquema era profissional e contínua. O juiz destacou ainda que a facilidade do grupo em obter documentos falsos potencializa o risco de fuga e de reiteração delitiva caso o réu fosse solto.
Com a manutenção da custódia, Gabriel Batista de Araújo responderá por estelionato majorado, falsificação de documento público, falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa. O MPF sustenta que a segregação é indispensável para interromper as atividades do grupo e preservar a instrução criminal. Enquanto o líder permanece preso, a Polícia Federal segue com as investigações para mapear a extensão total do prejuízo causado aos cofres públicos e identificar outros beneficiários e colaboradores da rede criminosa no Maranhão e no Piauí.
Fonte: gp1.com.br
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