Em menos de três anos, uma startup brasileira conseguiu algo que poucas empresas no mundo alcançam: se tornar um unicórnio e em um dos setores mais complexos que existem.
A Enter, fundada em 2023 por Henrique Vaz, Mateus Costa-Ribeiro e Michael Mac-Vicar, acaba de atingir um valuation de US$ 1,2 bilhão após captar US$ 100 milhões em uma nova rodada liderada pelo Founders Fund, com participação de gigantes como Sequoia Capital e Ribbit Capital.
Mas o mais interessante não é só o valor, é o problema que eles decidiram resolver.
O Brasil é um dos países mais litigiosos do mundo, com milhões de processos ativos. A Enter enxergou nisso uma oportunidade: usar inteligência artificial para automatizar praticamente todas as etapas de um processo judicial, da petição inicial até a análise de acordos.
Hoje, a empresa já atende mais de 45 clientes, incluindo grandes nomes como Airbnb e Latam Airlines, e processa mais de 300 mil casos por ano.
O modelo de negócio também chama atenção: cerca de 30% da receita depende do sucesso das ações. Ou seja, a Enter só ganha mais se entregar resultado real.
Na prática, isso alinha tecnologia com performance, algo raro no mercado jurídico tradicional.
Outro ponto relevante: a empresa já nasceu gerando caixa e viu sua receita crescer rapidamente, com ARR chegando a cerca de R$ 50 milhões em 2025.
Enquanto isso, o mercado global de IA jurídica está em plena corrida, com startups como Harvey (avaliada em US$ 11 bilhões) e Legora (US$ 5,5 bilhões) disputando espaço.
O diferencial da Enter? Foco total em um mercado complexo, pouco digitalizado e com enorme volume: o Brasil.
No fim, a história deixa uma lição clara: grandes oportunidades muitas vezes estão escondidas em problemas que todo mundo evita.
Quem consegue estruturar esses problemas com tecnologia cria vantagem competitiva difícil de copiar.
Fonte: instagram/update.diario