Delação de investigados por fraudes do INSS avança na PF e PGR

Brasilia_ProcuradoriaGeral

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República avançaram na análise das propostas de delação premiada de Maurício Camisotti e de André Fidelis, ligadas a um esquema de fraudes nos descontos associativos do INSS. As tratativas buscam entender a participação de agentes públicos e privados no funcionamento do esquema.

Camisotti, empresário do setor de seguros e planos, é considerado um dos cabos do grupo. Ele permanece preso preventivamente desde setembro de 2025. A defesa dele apresentou e retomou propostas para incluir a PGR na delação, após já ter fechado acordo com a PF em abril de 2026.

Fidelis, ex-diretor da Previdência Social, figura entre os principais investigados. Ele está detido desde novembro de 2025 e é apontado pela PF como um dos agentes públicos relevantes no esquema, com suposta fiscalização de pagamentos irregulares realizados por operadores financeiros.

As investigações apontam que entidades associativas, sem autorização dos aposentados, cobravam descontos nos benefícios previdenciários. Os valores eram faturados sem o consentimento das vítimas e chegam a envolver propinas pagas a servidores.

O núcleo político-institucional da Previdência entra na linha de apuração com a necessidade de esclarecer a logística interna que autorizava os pagamentos. A investigação também envolve o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, preso preventivamente, considerado facilitador das fraudes.

A homologação da delação depende da avaliação do relator dos inquéritos, ministro André Mendonça. Ele decide se há irregularidades no acordo e se as delações partem de decisões espontâneas dos colaborados, sem consulta à 2ª Turma do STF.

Internamente, o tema tem enfrentado críticas de alguns membros do STF. O ministro Gilmar Mendes, presidente da 2ª Turma, questiona o paralelo entre esse caso e a Lava Jato, que resultou em delações anuladas.

Em defesa da condução, Mendonça tem submetido decisões de prisão preventiva ao colegiado e, até o momento, a linha majoritária do tribunal sustenta as medidas de custódia. O andamento depende da conclusão da análise pelas autoridades envolvidas.

A apuração busca esclarecer a estrutura interna que autorizava os pagamentos e mapear as etapas logísticas do esquema, incluindo contribuições de agentes do governo e de setores privados ligados às associações envolvidas.

Fonte: portaltela.com

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