O advogado Guilherme Menna Barreto Gentil foi preso em flagrante na manhã desta terça-feira, 20, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, por suspeita de obstrução da Justiça. Alvo de mandado de busca e apreensão, ele arremessou um notebook e um celular pela janela do apartamento onde mora com a família quando uma equipe do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) chegou ao local.
Operação Libelo
De acordo com as investigações, os agentes identificaram um volume incomum de ações semelhantes patrocinadas por um mesmo advogado em Altinópolis. Os processos tratam principalmente de empréstimos consignados, tarifas bancárias e inclusão indevida em cadastros de inadimplentes.
Segundo os dados reunidos até o momento, são mais de 2 mil processos e mais de R$ 2 milhões levantados somente naquele município. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, há relatos de autores que não sabiam quantas ações tramitavam em seu nome nem quanto havia sido sacado e que receberam valores bem inferiores aos depositados.
De acordo com a investigação, as ações eram ajuizadas por diversos advogados e depois concentradas em um único patrono. Os créditos eram cedidos a empresas ligadas ao grupo, e os levantamentos judiciais eram feitos em conta bancária do advogado em questão, com repasse parcelado às vítimas.
Em alguns casos, o pagamento só teria ocorrido depois de questionamento das partes ou de intimação judicial. Os crimes investigados são estelionato, falsidade documental, apropriação indébita e organização criminosa.
Operação Garatéia
Em Franca (SP), o Gaeco, com apoio da Polícia Militar, cumpre cinco mandados de busca e apreensão em cinco endereços. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 3,1 milhões.
A investigação, iniciada em 2024, apura indícios de que escritórios de advocacia da região tenham usado procurações antigas ou genéricas para propor ações em nome de aposentados e pensionistas, em alguns casos sem que eles soubessem. Também investiga se os valores obtidos nos processos foram sacados e retidos sem o devido repasse aos clientes.
Levantamento do Tribunal de Justiça de São Paulo aponta mais de 12 mil ações ajuizadas pelo grupo entre 2022 e 2025. Uma análise financeira autorizada pela Justiça, referente ao período de janeiro de 2021 a junho de 2025, mostra que contas ligadas aos investigados receberam cerca de R$ 10,9 milhões em 3.812 levantamentos de valores depositados em processos, média superior a dois por dia útil.
Segundo o Ministério Público, apenas cerca de um quarto desse total foi transferido a pessoas de fora do grupo. Uma empresa ligada aos investigados arrecadou ainda cerca de R$ 770 mil em taxas cobradas de mais de 2,7 mil pessoas. Entre dezembro de 2024 e março de 2025, aproximadamente R$ 1,38 milhão foi sacado em espécie, e o paradeiro do dinheiro não foi localizado.
São apurados os crimes de organização criminosa, estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro. O material apreendido será analisado e pode embasar novas medidas.
Fonte: estadao.com.br